De que forma a implementação de uma política de crédito pode refletir nos resultados de empresas do agronegócio?

O agronegócio é um setor crucial para a economia brasileira, representando uma parcela significativa das exportações e empregos no país. O Brasil hoje figura entre os maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo. De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações do agronegócio somaram US$ 159,09 bilhões em 2022, com alta de 32% em relação ao ano anterior1. O setor também gerou o maior superávit já registrado na história, atingindo a cifra de US$ 141,8 bilhões.

As projeções realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), dão conta de que na próxima década o Brasil aumentará a produção de grãos em 36,6% e a área plantada em 17%, o que representa, respectivamente, um acréscimo de 99 milhões de toneladas de grãos e 12,6 milhões de hectares plantados.

Quanto à produção de proteína animal o MAPA projeta um aumento de 25,6% para carne de frango, 14,8% para carne bovina e 29,1% para carne suína, o que representa um acréscimo total de 6,6 milhões de toneladas de carnes2.

Assim, não é difícil perceber que o setor agropecuário possui um papel fundamental na geração de renda e desenvolvimento do país. No entanto, as empresas do agronegócio enfrentam desafios únicos e precisam lidar com fatores que estão fora de seu controle, como as condições climáticas, sazonalidade da produção e flutuações de preços de commodities no mercado internacional.

O Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian revelou que, em dezembro de 2022, o país tinha 6,4 milhões de negócios com o nome no vermelho e 69,4 milhões de consumidores inadimplentes3.

Nesse contexto, a implementação de uma política de crédito bem planejada pode ajudar as empresas do agro a reduzir seus riscos e a aumentar a efetividade nas cobranças em casos de inadimplência.

A política de crédito nada mais é que, um conjunto de diretrizes e práticas que uma empresa segue ao conceder e cobrar crédito a seus clientes. É uma ferramenta importante para garantir que a empresa tenha um fluxo de caixa saudável e minimize o risco de inadimplência.

A implantação de uma política de crédito bem definida pode trazer variados benefícios para a empresa, na medida em que auxilia o gestor a avaliar o risco de conceder crédito a um cliente, na tomada de decisão quanto a concessão ou não e, em caso positivo, quais seriam as melhores condições para a concessão. Isso ajuda a reduzir o risco de inadimplência e protege a empresa contra perdas financeiras.

Além disso, a política de crédito ajuda a garantir que o fluxo de caixa seja consistente e previsível. A empresa pode controlar a entrada de dinheiro e prever quando pode esperar pagamentos de seus clientes, ajudando a melhorar o fluxo de caixa.

A política de crédito também pode ser usada para atrair novos clientes e aumentar as vendas. Ao oferecer opções de crédito atraentes, a empresa pode tornar-se mais competitiva no mercado, haja vista que o comprador pode não dispor de capital disponível para uma compra à vista, gerando a expansão de sua base de clientes.

Outrossim, uma política bem estruturada pode ajudar a empresa a estabelecer um bom relacionamento com seus clientes. Ao oferecer prazos de pagamento flexíveis e limites de crédito adequados, a empresa pode mostrar que está disposta a trabalhar com seus clientes e ajudá-los a atingir seus objetivos financeiros.

No entanto, é importante lembrar que a adoção de políticas mais rigorosas pode ter impactos negativos em momentos de crise econômica. Nesses momentos, pode ser necessário adotar políticas mais flexíveis de concessão de crédito, a fim de manter a liquidez das empresas e garantir sua sobrevivência.

Por outro lado, em momentos de economia mais estável, as empresas do agronegócio podem optar por políticas de concessão de crédito mais rigorosas, a fim de minimizar os riscos e maximizar sua rentabilidade. Por exemplo, pode-se exigir garantias mais sólidas dos clientes, como a alienação fiduciária de máquinas ou imóveis, para minimizar o risco de inadimplência.

Assim, é importante notar que a implementação de uma política de crédito adequada não é uma tarefa simples e requer uma análise cuidadosa do perfil de crédito dos clientes, dos riscos de inadimplência, das condições econômicas e de mercado e das necessidades de financiamento da empresa. Portanto, é essencial que as empresas do agronegócio trabalhem em conjunto com instituições financeiras, especialistas em crédito e outros parceiros estratégicos para desenvolver políticas de crédito que sejam adequadas às suas necessidades e objetivos.

Dessa forma, pode-se afirmar com resoluta segurança que o aumento projetado para a produção agropecuária nacional dependerá, dentre outros fatores, de uma sólida estruturação no crédito das empresas do agronegócio. É através de uma política de crédito bem estruturada, que as empresas do agro terão a tranquilidade para projetar investimentos em tecnologia e inovação, contribuindo para o aperfeiçoamento, modernização e o aumento da competitividade do setor agropecuário brasileiro.

1) Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/exportacoes-do-agronegocio-fecham-2022-com-us-159-bilhoes-em-vendas.
2) https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/politica-agricola/todas-publicacoes-de-politica-agricola/projecoes-do-agronegocio
3) https://www.serasaexperian.com.br/conteudos/indicadores-economicos/

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