Por Mirian Gontijo e Alessandra Guimarães

O Cooperativismo agropecuário abre portas e oferece aos produtores rurais diversas oportunidades, além de contribuir para o desenvolvimento da sociedade em que se insere.

Contudo, para desempenhar bem o seu papel, assim como as empresas capitalistas, as cooperativas devem planejar um futuro sustentável baseado nas melhores práticas de gestão e governança (ESG e 17 ODS das Nações Unidas), sob pena de não se sustentarem.

Desde a instituição das políticas de crédito rural na década de 60, o Brasil tem vivenciado uma expansão da produção agropecuária, principalmente, em função da modernização dos sistemas produtivos.

Cada vez mais é necessário estimular o incremento dos investimentos rurais em armazenagem, industrialização, custeio da produção e comercialização dos produtos agropecuários.

Contudo, a maior disponibilidade de recursos financeiros e facilidade de acesso ao crédito, vem contribuindo para o aumento do endividamento no meio rural, tornando-se de extrema importância para as cooperativas, que têm como um dos seus objetivos vender insumos aos seus cooperados com melhores condições e preços, a adoção de políticas de crédito cada vez mais profissionais, que sejam capazes de frear o avanço da inadimplência.

Apesar do agronegócio brasileiro começar 2022 com superávit US$ 7,7 bilhões (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada -IPEA), especialistas da unidade Gado de Leite Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) acreditam que o setor leiteiro será impactado pelo endividamento das famílias brasileiras que, apresentou no mês de fevereiro daquele ano, o maior índice desde março de 2010, 76,6% (setenta e seis vírgula seis por cento). segundo a pesquisa nacional de endividamento e inadimplência do consumidor (PEIC), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC.

Segundo os pesquisadores do Centro de Inteligência do Leite (CILeite), a tendência é de manutenção do cenário de alta nos custos e aperto nas margens do setor, em meio às incertezas trazidas pela pandemia de Covid-19, pelas condições climáticas adversas em regiões produtoras e, atualmente, em razão das restrições impostas a Rússia, que poderão culminar na escassez de insumos agropecuários para atender a demanda dos produtores rurais brasileiros.

Em um mundo cada vez mais moldado pelas mudanças climáticas, competitividade e vulnerabilidade do mercado nacional e internacional, as cooperativas que não profissionalizarem a gestão do crédito correrão o risco de não se sustentarem a médio e longo prazo, pois não terão condições de suportar os impactos devastadores de uma inadimplência crescente no País.

É necessária uma análise e gestão do crédito profissional, baseada numa régua de cobrança (método) eficiente e adequada ao ramo de atividade da cooperativa, que tenha início numa ampla avaliação do perfil do cooperado, através de um cadastro completo e atualizado, com instituição de limites e alçadas de crédito, bem como, a exigência de garantias reais, sempre que possível.

A ausência de um setor específico com profissionais capacitados e especializados na concessão e recuperação de crédito nas cooperativas tem sido mais um dos fatores que contribuem para o aumento da inadimplência pelos cooperados, motivo pelo qual se mostra de suma importância se valer da assessoria de uma empresa especializada como a Precisão Recuperação de Crédito, com quem a FECOAGRO LEITE MINAS firmou convênio para prestação de serviços às suas filiadas.

Em tempos de crise moral e ética ainda presente no nosso país, é preciso que os gestores de cooperativas utilizem de todos os recursos seguros para a concessão do crédito, sob pena de não raras vezes ter que se valer da morosidade do Poder Judiciário com o intuito de buscar o recebimento dos seus créditos, o que também não é garantia de sucesso diante dos percalços encontrados em execuções contra Cooperados/Devedores insolventes.

Portanto, não há mais espaço para amadorismo na gestão do crédito nas cooperativas, pois aquelas que não buscarem a profissionalização correrão o risco de se sucumbirem a médio prazo, pois não terão condições de suportar os impactos cada vez maiores da inadimplência dos seus cooperados.

Mirian Gontijo: Sócia-fundadora dos escritórios Mirian Gontijo Advogados e Precisão Recuperação de Crédito; Vice presidente da Alagro -Academia Latino Americana do Agronegócio; Vice presidente do MAM- Mulheres do Agro pelo Mundo.

Alessandra Guimarães: Sócia-Administradora da Precisão Recuperação de Crédito e Presidente da Comissão de Direito Cooperativo da Subseção da OAB de Patos de Minas/MG; Membro da Comissão de Direito Cooperativo da OAB/MG.

*O artigo foi originalmente publicado na  5ª edição da Revista Fecoagro Leite Minas em 2022. Acesse aqui




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